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Glória de La-Salette Gonçalves
Monteiro
No decurso dum ciclo
de produção (gestação, lactação e repouso) as necessidades alimentares da ovelha
variam numa relação de 1 para 3 quanto à energia, e de 1 para 4 para as
proteínas, enquanto que a sua capacidade de ingestão só varia de 1 para 2,3.
Apresenta necessidades
que dependem sobretudo do peso vivo e da necessidade ou não de repor as
reservas corporais de que terá necessidade no final da gestação e, sobretudo,
no início da lactação. Esta reposição deve ser precoce, porque o êxito da
próxima cobrição dependem do peso e da condição corporal da ovelha quatro a
seis semanas antes da cobrição.
Se o intervalo entre a
parição e a cobrição seguinte for muito curto poderá fazer com que o peso das
ovelhas não seja suficiente e, a nota de condição corporal seja inferior a 3,5.
Poder-se-á melhorar os resultados da cobrição por meio de um flushing, que consiste numa enérgica
sobre-alimentação temporária (de mais 20 a 30% acima das necessidades de
manutenção). Este procedimento deve começar duas a três semanas antes da
cobrição e prosseguir nas três primeiras semanas após, através da escolha da
erva e das forragens que encham menos, pelo aumento das quantidades disponíveis
ou oferecidas, ou ainda através da distribuição de alimentos concentrados.
(Jarrige, 1998)
Apresenta diferenças
em relação a fenómenos fisiológicos e necessidades nutritivas, podendo então
dividir os cincos meses de gestação em três partes:
- no início da
gestação (1ª mês) deve-se manter o nível alimentar do período anterior;
- nos 2º e 3º meses da
gestação é preferível alimentar a ovelha ligeiramente acima da manutenção, uma
vez que é durante este período que se forma a placenta e alcança o
desenvolvimento definitivo;
- no final da gestação
(4º e 5º meses) as suas necessidades elevam-se com maior rapidez e decresce a
capacidade de ingestão, pelo que deve recorrer às suas reservas energéticas,
mas de forma moderada. (Jarrige, 1998)
Na maior parte dos casos, o animal não pode ingerir alimentos suficientes para fazer face às suas necessidades durante as primeiras semanas, devendo recorrer às reservas corporais, cuja contribuição dependerá da condição corporal no momento da parição, da sua idade e do tipo de produção. (Jarrige, 1998)
Os programas alimentares e os planos de arraçoamento
destinados aos caprinos leiteiros estabelecem-se duma forma análoga aos das
vacas leiteiras.
Cabras
em gestação
Desde que a cabra é seca que o objectivo é de a preparar para a próxima lactação, principalmente para lhe permitir a melhor utilização das suas reservas corporais tendo em atenção o desencadear da lactação.
É necessário que o animal tenha reconstituído a totalidade das suas reservas corporais o mais tardar seis semanas antes da parição e, por outro lado, que se adopte um programa alimentar que evite ao animal ter de mobilizar uma quota parte dessas reservas no decurso das últimas semanas de gestação.
É preferível que a
cabra reconstitua a maior parte das suas reservas corporais antes do período de
secagem porque o animal fabrica essas reservas energéticas com mais eficácia no
final da lactação do que no início do período seco. Mas, também se deve evitar
um estado de engorda muito elevado no decurso do período seco, porque os
tecidos adiposos têm tendência a desenvolver-se fortemente na cavidade
abdominal, reduzindo o volume do rúmen e a capacidade de ingestão no final da
gestação. A ingestão de energia fica então insuficiente e as reservas são
mobilizadas em larga medida antes da parição.
Esta dificuldade poderia evitar-se pelo fornecimento de alimentos concentrados, mas estes, sobretudo no caso de conterem uma proporção importante de cereais, arriscam-se a provocar acidoses e indigestões. Num período em que a cabra está muito sensível a este tipo de acidentes. Assim, desde a seca até seis semanas antes da parição, é preferível utilizar uma forragem de boa ingestibilidade com o fim de se limitar o fornecimento de alimentos concentrados.
A concentração
energética da ração manter-se-à fraca desde a seca até ao final do 3º mês de
gestação (0.65 UFL/Kg de MS), mas deve elevar-se para 0.75 UFL/Kg de MS no
decurso do 4º mês, para atingir o valor de 0.85 UFL/Kg de MS logo antes da
parição. (Jarrige, 1988)
Sistemas de avaliação das exigências nutricionais e dos alimentos
Existem vários
sistemas para avaliar os alimentos e as exigências nutricionais dos animais.
Para os ruminantes, os principais são: National Research Council (NRC),
americano, o Agricultural and Food
Research Council (AFRC), inglês, e o Institut National de la Recherche
Agronomique (INRA), francês, mais conhecido como o sistema das Proteínas
Digestíveis no Intestino (PDI). (Ribeiro, 1997)
NRC- National Research Council
A exigência dos
animais em proteína ainda é abordada em termos de proteína bruta e digestível,
de aplicação discutível, tanto que as versões mais recentes para outras
espécies incorporam conceitos mais actuais em relação ao uso da proteína pelos
ruminantes. (Ribeiro, 1997)
INRA- Institut National de la Recherche Agronomique (sistema UFL/PDI)
O sistema INRA ou sistema UFL/PDI Unidade Forrageira
Leite/Proteínas Digestíveis no Intestino, foi publicado inicialmente em 1978 e
actualizado em 1988.
Neste sistema, a energia é expressa na forma de
Unidades Forrageiras. Uma unidade forrageira leite(UFL) contém a mesma energia
de 1 Kg de grãos de cevada média, ou seja, 1 700 Kcal de energia líquida. Nesse
caso, a conversão de valores em UFL para caloria, e vice-versa, é simples:
1 UFL = 1 700 Kcal de energia líquida
1Kcal de energia líquida = 0,00059 UFL
Este sistema trabalha com a Proteína Digestível no
Intestino (PDI), conceito que inclui todas as transformações ocorridas no rúmen
e a fracção do alimento que passa inalterada. Assim, a quantidade de PDI
disponível para o animal é resultado da Proteína Digestível no Intestino de
origem Microbiana (PDIM), procedente do rúmen, somada a Proteína Digestível no
Intestino de origem Alimentar (PDIA).
PDI = PDIM + PDIA
A PDIA corresponde à proteína by pass digestível, ou
seja, aquela que passa pelo rúmen sem ser degradada, mas é digerida no
intestino, protegida de forma natural ou artificial, pelo uso de tratamento
químico ou térmico.
É importante verificar a digestibilidade dessa
proteína no intestino, pois, caso ela seja de baixa degradabilidade no rúmen e
também sendo de baixa digestibilidade no intestino, passará praticamente
inalterada pelo tracto digestivo, eliminada nas fezes, sem trazer qualquer
benefício aos animais.
A PDIM é a proteína sintetizada pelos
microorganismos do rúmen a partir do azoto e da energia disponível. (Ribeiro,
1997)
AFRC-
Agricultural and Food Research Council
É conceitualmente muito semelhante ao sistema PDI:
modifica basicamente a nomenclatura utilizada para as diferentes fracções da
proteína e, no caso da energia, utiliza uma fracção diferente, a energia
metabolizável fermentável.
A proteína metabolizável (PM) corresponde à PDI, a
proteína metabolizável de origem microbiana (PMM) à PDIM e a proteína
metabolizável de origem alimentar (PMA) à PDIA. (Ribeiro, 1997)
Referências
bibliográficas:
Jarrige, R. (1988); “Alimentação dos Bovinos,
Ovinos e Caprinos” ; Publicações Europa-América; Paris, França.
Ribeiro, S.D.A. (1997); “Caprinocultura - Criação
racional de Caprinos” ; Editora Nobel; S. Paulo, Brasil.