Free Web Hosting by Netfirms
Web Hosting by Netfirms | Free Domain Names by Netfirms

Instalações para Cabras

Por: Francisco Caseiro

 

 

 

 

 

Índice;

 

Aspectos Gerais;

Os factores ambientais e as instalações;

- Radiação Solar na cobertura;

- Orientação da cobertura;

- Ventilação;

- Isolamento;

Remoção de estrumes;

A estabulação;

Instalações de Ordenha;

Detalhes das instalações;

Detalhes das instalações;

Números para a elaboração do projecto;


 

Aspectos gerais;

 

         Das instalações depende muito a saúde das cabras e a produtividade dos animais.

A resistência das cabras a condições adversas é sobejamente conhecida, no entanto se lhe dermos boas condições de alojamento uma exploração pode tornar-se muito mais rentável.

         Quando alguém tenciona iniciar uma actividade de produção de caprinos as instalações representam uma grande parcela dos investimentos, principalmente se se tratar de animais cuja principal aptidão é leiteira.

         Quando se constroem instalações de raiz é importante considerar que elas não evoluem ao longo dos tempos, como o rebanho, antes se depreciam. Em alguns casos constroem-se instalações muito sofisticadas e caras mas por vezes pouco funcionais. Temos que dimensionar bem o quanto se vai investirem instalações, pois “instalação não da leite, quem dá leite é a cabra”.

         As instalações devem ser adequadas ao sistema de produção que cada produtor adopta para a sua exploração, assim, teremos umas instalações mais simples e em menor numero se se tratar de um sistema extensivo, enquanto que se for um sistema semi-intensivo ou intensivo há necessidade de instalações mais complexas (Ribeiro, S. 1998)

         É bom ter-se em atenção que seja qual for o objectivo visado, não é possível pensar em modelos rígidos (Sá, F., 1990).


 

Os factores ambientais e as instalações;

 

Os factores ambientais influenciam as condições internas das instalações de diferentes formas, podendo ter o seu efeito atenuado ou exacerbado em função de uma série de relações.

 

Radiação Solar na cobertura;

 

         Materiais transparentes, translúcidos ou opacos permitem que a energia solar os atravesse sem ser interceptados ou interceptados parcial ou totalmente. Os corpos opacos interceptam toda a energia solar, sendo que parte pode ser absorvida e parte, reflectida. Os metais, porém menos que os materiais escuros, o que não é absorvido é reflectido, portanto quanto maior a reflexão menor será a absorção (Ribeiro, S. 1998)

 

Orientação da cobertura;

 

         Para se decidir em relação à orientação da cobertura deve ter-se em consideração diversos aspectos. Aspectos como o regime de exploração, tipo de clima, topografia do terreno.

         O regime de exploração é importante pois se se tratar de um regime de semi-confinamento os animais passam as horas de maior calor do dia no pasto. No caso de estabulação permanente, em que os animais passam grande parte do dia nas instalações, temos de levar em linha de conta outros aspectos.

            O clima por sua vez influencia intimamente a orientação da cobertura. Em climas temperados, recomenda-se que a comeeira principal se oriente na direcção NORTE – SUL, para aumentar a radiação incidente no interior das instalações no Inverno, ajudando assim no aquecimento das instalações. Essa radiação solar auxilia também a manter a instalação mais seca e “esterilizada” pelos raios solares.

         Em regiões quentes, em que o grande problema é o calor e não o frio, as instalações devem ser abertas, a orientação do eixo da comeeira deve ser na direcção LESTE – OESTE, para minimizar a penetração dos raios solares, principalmente quando se cria em confinamento total.

A ocorrência de ventos e chuvas também devem ser levadas em linha de conta para decidir a orientação e localização das instalações.


 

Fig. 1- Comportamento do sol quando a cumeeira está no sentido Leste – Oeste

Fonte:

 

Fig. 2- Comportamento do sol quando a cumeeira está no sentido Norte - Sul

Fonte:

 

 

 

 

 

 

 


               

 

 

 

 

Ventilação;

 

         A ventilação é de grande eficiência para a renovação do ar e para a remoção do calor proveniente dos animais, bem como para a secagem da cama e eliminação dos gases eliminados pelos animais e dos provenientes da fermentação dos dejectos.

         A ventilação pode ser de dois tipos, natural ou forçada, devendo sempre que possível utilizar-se a natural quando tal não for possível deve então dimensionar-se adequadamente a ventilação forçada. A acção do vento pode ser utilizada para ajudar à ventilação das instalações, sendo necessário fazer aberturas, estrategicamente colocadas, de modo a “manejar” o vento convenientemente. Assim, aberturas colocadas em paredes opostas e na direcção predominante dos ventos têm um papel importante na renovação do ar do ambiente interno. No entanto a frequência do vento não é constante sendo necessário por vezes recorrer a quebra ventos para ajudar na contenção de ventos fortes indesejáveis.

         A utilização de lanternim é também muito eficaz pois permite-nos uma ventilação continua

 

 

Fig. 3- Efeito de trocas de ar quente por ar frio proporcionado pela utilização de lanternim.

Fonte:

 
 

 

 

 

 

 


 


Isolamento;

 

         O isolamento do exterior para protecção do frio, do calor e da humidade é um pormenor de construção que não pode ser menosprezado. As paredes dos estábulos devem ser suficientemente grossas, ou com caixa de ar, para garantir essa protecção, e recobertas com produto isolante da humidade, sempre que o tipo de construção não seja suficientemente isolante (Sá, F., 1990).

A escolha do local onde se vai implantar o estabulo, é de grande importância pelo mesmo facto, dado que certos solos assentam sobre lençóis freáticos a baixa profundidade podendo um dia mais tarde vir a ter problemas com infiltrações.

 

Remoção de estrumes;

 

A operação de remoção de estrumes exige uma eficiência total. É um trabalho indispensável, penoso, caro. A sua mecanização terá de ser encarada seriamente. As portas de acesso ao interior de estábulo, os espaços de manobra para um tractor e reboque são requisitos a ter em consideração ao projectar. Por outro lado, o armazenamento deste estrume terá de ser considerado tendo em conta a salubridade do local, por isso a estrumeira deve localizar-se longe, mas de acesso fácil.

Seja qual for o tipo de estábulo, a separação entre os animais deve ser assegurada por divisórias amovíveis (Sá, F., 1990).

 

 

A estabulação;

 

Segundo Sá, F. a estabulação pode ser presa ou livre, esta pode ainda ser: estabulação livre integral ou estabulação livre em lotes. Todas têm vantagens e desvantagens.

A estabulação presa é aconselhável para pequenos rebanhos, a estabulação livre integral é aplicado em efectivos com o máximo de 150 cabras enquanto que a estabulação livre em lotes deve ser utilizado para efectivos com mais de 150 cabras.


 

Instalações de Ordenha;

 

Existem diferentes tipos de ordenha. Todos eles porém visam objectivos precisos:

·        reduzir ao máximo o tempo de ordenha;

·        facilitar a ordenha para que esta se execute nas melhores condições;

·        tornar o trabalho o menos penoso possível;

·        fazer a ordenha em boas condições de higiene;

 

Independentemente da instalação responsável pela ordenha das cabras, faz parte ainda desta instalação o que passa pelo nome de sala de leite, que é o lugar onde o leite é recolhido e o material da ordenha lavado, desinfectado e arrumado. Tal como nas explorações de bovinos leiteiros, aqui também existem dois sistemas distintos de ordenha, ordenha no estábulo (“pipe-line”) e ordenha na sala (Sá, F., 1990).

 

 

Detalhes das instalações;

 

         As instalações possuem uma série de componentes e equipamentos que devem ser bem avaliadas de modo a que as instalações se tornem o mais funcional possível. Assim equipamentos como bebedouros, manjedouras, saleiros, cercas, etc. devem ser alvo de uma avaliação bastante aprofundada e não levar só em linha de conta o preço mas sim ponderara relação custo/beneficio. Muitas vezes compensa um gasto um pouco maior, se houver um ganho em eficiência e durabilidade.

         As instalações podem ainda ter em anexo locais nos quais se podem armazenar fenos, palhas e outros alimentos para os animais.

         Se se optar por uma exploração cuja aptidão seja a leiteira devemos dimensionar bem a sala de ordenha, pois se as mediadas desta forem subestimadas irão dificultar a passagem e a acomodação dos animais, por outro lado se forem super estimadas, além de gastos desnecessários, podem fazer com que os animais não fiquem adequadamente contidos ou dificultar o trabalho do ordenhador.


 

Orientações construtivas;

 

         - Corredores com largura de 1,5 a 3 metros;

         - Paredes expostas a norte devem ser completamente fechadas, as restantes devem ser fechadas até 1,2 a 1,5 metros de altura;

         - Portas de passagem de animais devem ter no mínimo 1,5 metros de largura;

         - Área de repouso deve ser de 1,3 a 1,5 metros quadrados por cabra com cabrito, a área de exercício deve ser o dobro;

         - Zona de recria a área de repouso deve ser de 0,4 a 0,6 metros quadrados por cabrito, a área de exercício deve ser o dobro;

         - Enfermaria, 5% da área ocupada pelas cabras em produção;

         - O armazém para feno deve ser dimensionado consoante o numero de animais que a exploração tem;


 

Bibliografia;

 

Pereira, José Luís; Sebenta de Instalações e Equipamentos Pecuários; ESAV; 2003 não editada.

Sá, Fernando vieira de; A cabra; Clássica Editora; 2ª Edição; Outubro de 1990; Lisboa

Ribeiro, Sílvio Dória de Almeida; criação Racional de Caprinos – Caprinocultura; Livraria Nobel, S.A.; 1998; São Paulo