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Por: Nuno Miguel de Oliveira Reis
Introdução:
A presença mais notória no comportamento de cabras e ovelhas, de uma certa maneira, é a sua interacção, umas com as outras (Syme and Syme, 1979). Estes comportamentos servem determinados propósitos, como a coesão entre grupo e a interacção ecológica. Afiliação social é um processo básico e útil na transmissão de aprendizagem. O efeito de grupo, inerente à facilidade social, tem influência em comuns actividades. A íntima associação entre indivíduos permite a organização de um número de animais, em unidades familiares, grupos de acasalamento, alimentação, grupos de pasto. A disciplina pela qual a força social trás à componente individual de animais asseguram uma comum perseguição de tácticas requeridas para viver. Motivos sociais são manifestamente relatados na sobrevivência.
Organização social (este termo inclui):
- Estrutura fixa – o tamanho do grupo e sua composição em relação à idade, sexo e graus de relacionamento entre indivíduos.
- Estrutura social – todas as relações entre indivíduos no grupo e suas consequências por distribuição de espaço e interacções comportimentais.
- Coesões de grupo - a duração da associação entre membros do grupo e a frequente fricção entre eles ou mais membros, deixando o grupo.
Dentro de um grupo há:
Líder – é o indivíduo que se encontra à frente do grupo quando se encontram em andamento, levando-os ao alimento, água, sombra, etc.
Iniciador – é o primeiro indivíduo a reagir perante uma determinada situação, que leva o grupo a reagir. Esta nova actividade poderá similar a qualquer outra do iniciador mas não é. Por exemplo, o movimento para um novo local de alimentação poderá levar para lá os elementos do grupo, mas um alarme dado pelo iniciador poderá indicar um comportamento “frio” para com o grupo, dando o seu desaprovar.
Controlador – é o indivíduo do grupo que determina, se poderá ocorrer uma nova actividade de grupo, quando acontece e qual actividade será. O controlador pode também reduzir o manifestar de certas actividades feitas por outros indivíduos quando acontecem, controlando assim o ímpeto desses indivíduos. Esse controlo poderá ser as vezes exercido à força ou ameaça, mas a situação mais comum é que cada membro do grupo olha para o controlador antes de modificar de actividade ou mudar de grupo, tem que pedir “quase” o seu consentimento (Schaller, 1963; et al.). Indicadores poderão tentar por o grupo a andar, mas sem sucesso, apenas que tenha o consentimento do controlador.
Alguns conceitos relativos a um grupo animal:
Competição – é a situação pela qual, indivíduos “lutam” para a obtenção de determinados recursos ou proveitos. Não quer dizer que haja luta física entre rivais, pelos mesmos pontos em questão, mas, o mais rápido normalmente obtém aquilo que está em disputa, seja comida ou fêmeas. Noutras circunstâncias, o mais inteligente é mais bem sucedido do que o mais forte ou o mais ágil.
Hierarquia – designa-se pela sequência de indivíduos ou grupos de indivíduos num grupo social onde possuem um conjunto de habilitações e características que lhes permitem “governar”. O termo é muito usado, quando há vitórias em lutas e desprezo doutros animais do grupo. Uma hierarquia, poderá envolver dois níveis , uma no caso, da disputa de indivíduos da mesma hierarquia e no outro caso, da disputa de indivíduos de hierarquias diferentes (Carpenter, 1971). Normalmente, hierarquia refere-se a uma série de níveis aos quais há uma “linha de ordem” (Schjelderup-Ebbe, 1922) ou uma série linear com um conjunto de relacionamentos entre si.
Uma ordem dada poderá reflectir uma habilitação de um indivíduo dominante em relação a outro, os subordinados, restringidos aos seus movimentos e o seu acesso a alimentos, água, etc. Todavia, o termo ordem de dominância não é o mais adequado, visto as ordens serem baseadas em acontecimentos específicos, como lutas ou disponibilidade de alimento, do que dominância real.
Liderança – nos seus movimentos em grupo, os animais, frequentemente respondem à iniciativa do líder seguindo-o (Sato, 1982; et al.). O comum “segue-me” dos porcos não é tão marcante como em cabras, na qual a sua reacção seguinte é parte de estratégia de coesão. Todos os animais, como cabras e ovelhas, mostram reacções “seguimento do líder”, em vários momentos (Rathore, 1978). Liderança, exemplifica a reacção de acompanhar o líder, está tão evidente em ovelhas, pelo qual, é normalmente a mais velha que o faz. Os animais mais velhos, são os mais prováveis e capazes de liderar sem ter em conta a hierarquia. Nos seus movimentos, os animais na sua rota diária pelo pasto, a sua ordem hierárquica mantém-se constante (é rígida), a liderança poderá ser partilhada, mas a ordem a seguir tende a ser organizada e a persistir ao longo do tempo. A ordem para a ordenha também é consistente e rígida, há posições fixas, bem como no caso dos líderes. A liderança em ovinos e caprinos está subdividida em três tipos:
- liderança durante o movimento e para locais de alimentação, de beber e de dormir, isto estabelece a ordem de movimento.
- Liderança na iniciação da alimentação e descanso, é a base da ordem de iniciação.
- Liderança durante a alimentação, é a mais obscura forma de liderança no acompanhamento comportamental.
Facilitação comportamental – em grupos, a actividade da maioria parece prevalecer, assim como o direito comportamental “polícia” de cada um. Estes efeitos de grupo servem como base à estratégia hostil do grupo comportamental. Facilitação social é mais parecido, onde há uma adequada associação, habilidade de comunicação e reacção a potencial para actividade mímica, similaridade para estado de motivação e supressão de agressão entre intra-espécies.
Ordem social – em grupos de animais que se encontram juntos a algum tempo, há uma estabilidade hierárquica. Isto pode resultar de uma máxima interajuda e mínima agressão, criando assim uma estabilidade social, a qual é um requerimento visto para os animais de quinta (Schein and Forhrmam,1955). A hierarquia social não é uma estrutura inviolável, todavia, a relação entre indivíduos não é um mero deixar estar e repousar. De grande importância há também outros relacionamentos, que não necessitam de nenhum envolvimento de competição. Amizade, entre animais, envolve tolerância mútua e confiança. A duração e durabilidade da hierarquia depende acima de tudo da componente relacionamento e tácticas operativas de grupo. Hierarquia dominante pode ser preconcebida para o relacionamento social, baseada numa mistura de arranjos sociais. Parece que os animais usam tácticas organizadas para estabelecer a sua vida social, pelo qual pode ser provado pelos seus actos. Alguns relacionamentos podem levar à formação de grupos de solteiros, ainda assim que sob dominância da matriarca.
Relacionamento animal/homem: Quando é bem sucedido, torna-o próximo da família e seus hábitos, mas em todos os seus eventos de domesticação, depende da sua capacidade de afinidade social. Domesticabilidade, empreende o seu tipo de sobrevivência, diferente da sobrevivência inerente e natural, talvez não menos biologicamente real numa análise final. Compatibilidade social com o homem é evidente na imagem protótipo de animal doméstico. É muito importante para uma eficiente manipulação na quinta. Nos animais de quinta, a sua maneira de organização e formar os seus grupos sociais, permitem-lhes organizar facilmente em grupos fechados (Netz,1981; et al.). Em muitas espécies de animais o comportamento normal depende entre muitas outras coisas, estar num grupo social.
Alguns
comportamentos específicos em ovinos e caprinos:
Os comportamentos dos caprinos e ovinos são
quase todos bastante conhecidos, no entanto, é sempre bom rever e examinar o que eles
significam e porque acontecem. Quanto mais percebermos o que está a acontecer,
logicamente, poderemos
aprimorar o seu maneio e tornar o seu gerenciamento da criação
superavitário.
Basicamente são oito, os tipos de comportamento que são
facilmente reconhecidos:
Comportamento I
O hábito de pastar.
Os caprinos pastam de forma bem diferente
que os carneiros e os bovinos, enquanto que estes,
comem capim que cresce no solo, os caprinos comem primeiro as folhas das
árvores e dos arbustos.
Em condições naturais os caprinos não
destroem a vegetação, porém, se houver superpovoamento da área, certamente eles
comerão tudo que estiver disponível. Este habito se for
bem aproveitado pode gerar uma renda extra para o
criador, já que cabras não competem com carneiros e gado na mesma alimentação.
Considere que as cabras prestam mais um
serviço, elas "limpam " o pasto, ou seja elas comem o que os outros
ruminantes não comem.
Cabras podem diferenciar vários sabores:
doce, salgado, azedo e acido. A tolerância para ingerir alimentos ácidos é bem
maior que em qualquer outro ruminante.
Comportamento II
O uso de água
Os caprinos bebem pouca água, o volume é
aproximadamente de188 cc/kg/24 horas, só o camelo bebe menos água,
185cc/kg/24horas. Em clima ameno onde a transpiração é menor, a cabra
praticamente não bebe água se a vegetação tiver pelo menos 60% de
Humidade,
enquanto que as ovelhas bebem um pouco mais.
Comportamento III
Amamentação
Pouco depois de nascer os cabritos e os
borreguitos já querem mamar. Por instinto eles começam a chupar o corpo da mãe na
procura das tetas. Geralmente eles começam a tentar mamar nas pernas
dianteiras, vão tentando em diferentes partes e eventualmente acham-nas as
tetas no lugar certo.
Após o segundo dia, ambos já sabem mamar sem
problemas. É interessante notar que os cabritos dão sempre cabeçadas no úbere
da cabra, isso serve para soltar o leite, podem assim mamar mais.
Comportamento VI
Eliminação das fezes e
urina
É o tipo de comportamento pouco observado
pelo criador, mas não menos importante. Os caprinos e ovinos não marcam território com
fezes e urina como vários outros animais. No entanto, o bode e o carneiro
identificam a cabra e a ovelha, respectivamente, que está em cio pelo cheiro da
sua urina. Na natureza , também evitam de se alimentar
de pasto onde houve a eliminação de excrementos. Em regime intensivo, muitas
vezes este item não é considerado e resulta em infestação de verminoses.
Nas cabras o acto de urinar sempre acontece
com as pernas agachadas, o mesmo acontecendo com os cabritos, já que, com o bode
isto não acontece, bem como nas ovelhas. Outro comportamento bem intrigante que
todos os caprinos fazem, é o movimento rápido do balanço do rabo após defecar,
até ao presente momento não há uma explicação cientifica
para o facto.
Comportamento V
Actividade sexual
O cio aparece a cada 21 dias e dura entre
18 a 24 horas.
O cheiro do bode é estimulante para as
cabras, assim como o do carneiro para com as ovelhas, pouco antes do cio se
manifestar. As cabras tornam-se dóceis e esfregam o seu pescoço no corpo do
bode. Já o comportamento do bode é bem diferente, ele torna-se agressivo,
cheira a urina estica o pescoço, move os lábios e põe a língua para fora , já o carneiro torna-se agressivo, marrando-lhes por
vezes.
Após identificar a cabra no cio, o bode tenta separa-la
do rebanho e em seguida cava o chão em sinal de masculinidade. A seguir ele
cheira e acaricia a área genital da cabra e em seguida tenta a copulação. Caso
a cabra não esteja receptiva, o bode irá tentando sem parar, o desgaste de
energia é grande e a perda de tempo também. Se houverem outras cabras em cio, o
prejuízo será visto através do baixo índice de fecundação, e o
resultado será menos cabritos para o criador. No
caso do carneiro, o seu comportamento, para com as fêmeas, é idêntico ao do
bode.
Comportamento VI
Cuidado materno
Perto de parirem as cabras e ovelhas
afastam-se do rebanho. Após a parição, ambas lambem a cria para estimular a
circulação e geralmente comem os restos do parto.
O cheiro faz parte da identificação, do
cabrito por parte da cabra, e do borrego por parte da ovelha, se após o parto
mantivermos os recém-nascidos separados das mães, por mais de duas horas, as
chances de rejeição aumentarão drasticamente, pois o cheiro não ficou bem
marcado nas suas memórias.
Se o cabrito ou borrego,
for segurado, aprisionado ou capturado, ele emitirá um berro de medo bem
característico, isso serviria de alarme para a cabra mãe, que viria
socorre-lo.
Comportamento VII
O domínio do bode e do
carneiro
Tanto o carneiro como o bode detêm o domínio do rebanho, eles
lutam e brigam por este controle, se outro animal tentar tomar este domínio há
luta certa. Na luta o bode levanta-se e fica em posição erecta, a cabeça fica
em direcção do oponente e afastam-se uns dois metros um do outro. No momento
exacto eles baixam-se e chocam as cabeças, é uma luta bem diferente que a dos
carneiros, isto possibilita a criação simultânea de caprinos e ovinos sem
maiores conflitos.
O domínio de ambos,
é imposto pela idade, por brigas vencidas e pelos chifres. Bodes e carneiros
descornados têm menos chances de defesa. Se um novo elemento masculino é
trazido para o rebanho eles teriam que lutar para estabelecer o seu nível
hierárquico dentro do rebanho.
Comportamento VIII
Protecção contra o clima
Os caprinos enfrentam bem as durezas do
clima, tudo que eles precisam é de um abrigo contra as chuvas, já ovelhas,
apesar de não serem tão rústicas, são também, sensíveis à chuva.
Ao menor sinal de chuva, todos correm para o
abrigo, chegando ao abrigo antes do primeiro pingo cair. Os caprinos têm um
verdadeiro horror de lama, se eles pudessem escolher livremente não pisar na
lama, com certeza, eles estariam sem verminoses e parasitas. As cabras suportam
bem altas temperaturas, porém, têm baixa tolerância para humidade. As ovelhas,
já não suportam tão bem as altas temperaturas, devido ao seu manto de lã, por
isso e não só, são tosquiadas nas alturas de maior calor.
Se conseguirmos fornecer circunstâncias
favoráveis aos caprinos e ovinos, em regime intensivo, certamente, a
taxa de mortalidade reduzir-se-ia bastante. A maioria dos criadores enfrentam
altas taxas de mortalidade nos seus rebanhos, falhas de manejo sem dúvidas.
Conhecendo os seus comportamentos,
seguramente fará com que a mortalidade se reduza, ambos dizem-nos como gostam
de viver, só precisamos de adoptar métodos como eles vivem na natureza em
regime intensivo.
Bibliografia:
·
A.F. Fraser & D.M.
Broom, (1998).
·
www.Geocities.com/agra1net/comportamento.html.
·
Menegon, G.; Pivotti, F.; Xiccato,
G., (1999). Fundamentos
de Tecnologia Agrária, 2º volume. Colecção Euroagro, Publicações
Europa-América. Mem Martins, Portugal.