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Trabalho realizado por :

Cândida Morgado

 

Clostridioses

 

 

As Clostridioses são toxinfecções ou intoxicações de animais causadas por bacterias do género Clostidium. Que afectam entre outros animais os ruminantes.

Os clostrideos são organismos anaeróbios,

que se multiplicam na ausência de ar. Este tipo de bactérias é muito resistentes, podendo os esporos permanecer nas áreas de contaminação durante muito tempo, podendo ser até anos, normalmente encontram-se no solo e no tubo digestivo de dos animais, mesmo dos saudáveis. Produzem substâncias chamadas toxinas que são responsáveis pela sintomatologia e lesões observadas pelos animais doentes, (Internet I).

As Clostridioses podem originar a morte dos animais afectados em espaços de tempo verdadeiramente pequenos, pode inclusive dizer-se que este tipo de agentes patogénicos é muito eficaz.

Existem vários tipos de Clostridioses, entre elas podemos destacar:

 

- Enterotoxémias;

 

- Tétano (doença neurotrópica), (Internet I).

 

 

 

Figura 1:  Imagem de Clostridium. (Internet III)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tétano

 

Doença infecciosa aguda, de carácter esporádico que se encontra espalhada por toda a parte, mais frequente na Primavera e no Outono, em regiões onde a humidade e o calor são simultâneos.

Sendo a sua etiologia patogénica o Clostridium tetani, bactéria em forma de bastonete delgado e móvel, que quando esporula o faz terminalmente. Trata-se de uma doença que afecta:

 

▪ Solípedes – são hóspedes naturais do seu intestino;

▪ Suínos;

Ovinos e caprinos;

▪ Bovinos – estes possuem imunidade antitetânica naturalmente adquirida, através de modificações da toxina pelas fermentações da celulose;

▪ Ave são quase refractárias;

▪ Carnívoros domésticos – apresentam certa resistência.

(Ferreira, Carlos et all - 1990)

 

 

As vias de contágio são:

 

► Cutânea:

- Através de feridas na pele ou mucosas, com presença de terra, areia, esquírrolas de madeira;

 

► Umbilical:

- Nos recém-nascidos;

 

► Amputação de cauda em ovinos;

 

► Intervenções cirúrgicas;

 

► Castração;

 

► Extracção dentária;

 

► Retenção de secundinas;

 

► Úlceras intestinais;

 

Estas bactérias penetram através de ferimentos ou de soluções de continuidade da pele em um organismo animal susceptível, permanecendo ali até o ferimento cicatrizar e fechar, criando assim ambiente de anaerobiose (ausência de oxigénio), ( Internet II).

Após se ter criado o ambiente ideal, o Clostridium atinge a forma vegetativa, na qual possui a capacidade de produzir uma toxina, que sendo capaz de se difundir pelas vias hemática, nervosa e linfática.

 

 

 

 

 

Sintomas:

 

Os sintomas da doença que sobrevem sempre após ocorrência de ferimentos contaminados com terra são:

 

¤ Rigidez de marcha;

 

¤ Dificuldades de mastigação e deglutição, devido a contracções intensas dos músculos

responsáveis por estas funções;

 

¤ Espasmos musculares generalizados;

 

¤ Extensão da cabeça na direcção do pescoço;

 

¤ Rigidez e aproximação dos pavilhões auriculares e projecção da membrana nictitante sobre os glóbulos oculares, que são retraídos para o fundo da órbita;

 

¤ A contractura dos músculos intercostais provoca dispneia (provoca morte por

dificuldades respiratórias);

 

¤ A contractura dos músculos abdominais leva ao arregaçamento do ventre e à retenção

de urinas e de fezes;

 

¤ Morte passados 2 a 3 dias ou 2 a 3 semanas

 

¤ Nos casos de cura só recuperam completamente passado 1 mês;

 

¤ Nos bovinos e suínos é menos grave e ocorre cura.

 

- Após a produção da toxina, que é composta por duas fracções:

 

Tetanolisina

- Possui a capacidade de destruir os glóbulos vermelhos, liquefazendo o sangue podendo originar hemorragias espontâneas pelos orifícios naturais;

 

Tetanospasmina ou neurotoxina

- Responsável pelas contracções musculares.

(Ferreira, Carlos et all - 1990)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 2: Caprino jovem com tétano. (SMITH, 1994)

 

 

Profilaxia:

 

Sendo o tétano uma doença extremamente grave, os animais curados não ficam gozando de qualquer tipo de imunidade. A base da profilaxia é o cuidado das feridas traumáticas, com a aplicação da anatoxina. É usual vacinarem-se as éguas, para prevenir o tétano, nas últimas semanas de gestação.  Sendo esta também utilizada como vacina, outro método é a aplicação de anatoxina nas intervenções cirúrgicas, castrações, ou praticadas no terço inferior dos membros, em acidentes de ferração, feridas umbilicais nos recém-nascidos, ferimentos cutâneos na vizinhança da cauda, e em todos os casos de feridas. Alguns dos casos de animais que após um ano receberam nova injecção ficam com alguma imunidade para o resto da sua vida.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

Internet I – http://br.merial.com

 

Internet II -http://www.saudeanimal.com

 

Internet III - http://www-instruct.nmu.edu/cls/lriipi/micro/clostridium.ipg.jpg

 

Ferreira, A. Jacinto ; Ferreira, Carlos,”Doenças Infecto-contagiosas dos animais domésticos”; 4ª edição - 1990 ; Fundação Calouste Gulbenkian;

 

Smith, Marry C.  Sherman, David M., “Goat Medicine”, 1994;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Enterotoxémias

 

 

Estas são também conhecidas por:

Bradsot,;

Doença do rim pulposo;

Desinteria dos cordeiros.

 

As enterotoxemias não são doenças contagiosas, apesar doenças quase sempre fatais. São caracterizadas por toxémia, devido à absorção, no tubo digestivo, de toxinas produzidas pelo Clostridium perfringens. Sendo este micróbio hóspede normal do tubo digestivo dos herbívoros, segundo Quesada (1967) pensa-se que esta acção patogénica resulte do aparecimento de uma deficiência orgânica. (Ferreira, A. J., et all – 1990).

O desenvolvimento deste tipo de doenças deve-se à evolução dos métodos de criação e de alimentação, que visam cada vez mais atingir determinado rendimento económico rapidamente. Para atingir esse fim opta-se por escolher um tipo de dietas alimentares mais concentradas ricos em matéria proteica e pobres em celulose, fundamental para o equilíbrio natural do organismo animal.

Quando as mudanças de alimentação são feitas muito bruscamente, não deixando que se crie uma flora digestiva do tipo proteolítico, as matérias proteicas não utilizadas degradam-se rapidamente, e dão origem a grandes quantidades de amoníaco. O pH ácido do tubo digestivo torna-se alcalino, que é o meio óptimo para os Clostridium se desenvolverem e multiplicarem rapidamente. A alcalose gastrointestinal com o sangue, após se instalara alcalose sanguínea, sobrevém a atonia digestiva e a população microbiana progride, os microorganismos passam a barreira intestinal e originam septicemia, segregando toxinas que se difundem por todo o organismo animal. (Cottereau, 1967).

 

Esta doença afecta:

 

Ovinos;

Caprinos;

Bovinos;

Coelhos;

Solípedes;

Suínos.

 

Figura 3: Ovino com enterotoxémia. (CONSTANTIN,1988)

 

 

Os seus sintomas são:

 

Ω Enterite hemorrágica;

 

Ω Enterite Catarral ou catarral hemorrágica aguda;

 

Ω Dificuldade locomotora progressiva;

 

Ω Hiperemia das mucosas do jejuno e do ílio tigrado característico;

 

Ω Hiperemia difusa das mucosas do rúmen e do abomasso;

 

Ω Afastamento do resto do grupo;

 

Ω Abatimento;

 

Ω Perda de apetite;

 

Ω Convulsões espasmódicas;

 

Ω Opistótono;

 

Ω Diarreia;

 

Ω Coma;

 

Ω Glicosúria;

 

 

 

Morte ocorre rapidamente: 2 a 36 horas após o inicio dos sintomas.

 

No que diz respeito ao tratamento destes sintomas é feita uma intervenção agressiva através da utilização de anti-inflamatórios para aliviar as dores dos doentes, de antibióticos para reduzir a população bacteriana e ainda o uso da vacinação dos animais jovens com anaculturas ou anatoxinas. Esta vacinação deve ser repetida após 3 semanas para que a imunidade se possa restabelecer e ser duradoura. É também aconselhável que seja feito um reforço 6 meses depois.Nas ovelhas adultas a vacina pode ser administrada 30 dias antes do parto, promovendo assim através do colostrum imunidade aos recém nascidos durante 12 a 16 semanas.

 

Ao nível sanitário devem destruir-se os cadáveres, desinfectar o ovil e evitar a introdução de animais doentes no resto do efectivo, porque os animais doentes eliminam os bacilos através das fezes, sendo considerados por isso fontes de contágio.

 

Como método de prevenção há que evitar mudanças bruscas das dietas alimentares dos animais, compensando:

 

 

Referências Bibliográficas:

 

Internet I – http://br.merial.com

 

Internet II -http://www.saudeanimal.com

 

Ferreira, A. Jacinto ; Ferreira, Carlos,”Doenças Infecto-contagiosas dos animais domésticos”; 4ª edição - 1990 ; Fundação Calouste Gulbenkian;

 

Smith, Marry C.  Sherman, David M., “Goat Medicine”, 1994;

 

CONSTANTIN, A. (1988), Les Mouton et ses Maladies, 5ª edition, Maloine, Paris.