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Parto em Ovinos e Caprinos

Ana Carina Vitória

 

Índice:

 

1-    Considerações gerais

2-    Fases do parto

3-    Distócias

4-    Bibliografia

 

1-Considerações gerais:

 

     Parto ou trabalho de parto é definido como o processo fisiológico através do qual o feto e os seus anexos são expelidos do organismo de uma fêmea gestante. (Simões J, 1984)

Durante os últimos dias de gestação ocorrem inúmeras alterações fisiológicas, físicas e comportamentais que se podem observar na fêmea gestante.

 

       A nível fisiológico e físico podem observar-se as seguintes alterações: (Simões J, 1984 e Noakes D, 1999)

- Desmineralização da sínfise púbica, o que vai permitir uma maior expansão do canal do parto;

        - Expansão da pélvis;

        - Aumento de frequência de micções e defecções;

        - Edema e congestionamento da vulva;

        - Dilatação do cérvix;

        - Alteração da temperatura corporal;

        - Presença de muco suspenso a partir da vulva;

        - Ruptura do saco amniótico;

        - Saída de “leite” dos tetos.

- Afrouxamento da tensão dos ligamentos sacro-ilíacos;

        - Detecção dos movimentos do feto através da parede abdominal.


 

 

A nível comportamental podem observar-se as seguintes alterações: (Simões J, 1984; Noakes D, 1999; Fraser A, 1980 e Ribeiro. S, 1997)

- Deita-se e levanta-se com frequência, sem encontrar posição confortável;

- Olha constantemente para os flancos e a ruminação torna-se irregular;

- Mostra-se maternal, amorosa com o tratador e com os outros cabritos;

- Raspa com os membros anteriores no chão, como se estivesse a preparar um ninho;

        - Isolamento do resto dos animais, procurando um lugar calmo e escuro;

        - Inquietação, ansiedade;

        - Anorexia, uma vez que a fêmea deixa de se alimentar algum tempo antes do parto;

         - Sinais indicadores de dor, tais como: balidos

       

        Antes de começar o trabalho de parto, usualmente o feto assume uma posição no útero, característica das espécies. Para o parto o feto coloca-se numa posição que apresenta o mínimo de dificuldade para a passagem através do canal pélvico.

        O feto durante a sua vida intra-uterina repousa sobre a sua porção posterior, mas antes do trabalho de parto ele pratica um movimento de rotação para uma posição vertical com o focinho e os membros anteriores dirigidos para a extremidade posterior da fêmea.


 

        A apresentação anterior é a mais frequente em ovinos e caprinos, em que os cascos dianteiros do feto emergem primeiro com o focinho entre eles, a cabeça fica distendida e o dorso do feto em contacto com o sacro da fêmea.

O trabalho de parto começa com o desencadeamento de contrações uterinas regulares e peristálticas, acompanhadas de progressiva dilatação do cérvix. (Simões J, 1984)

 

2-Fases do parto:

 

        No parto podem-se distinguir normalmente três fases, sendo elas: (Simões J, 1984; Noakes D, 1999; Kolb E, 1987 e Noakes D, 2001) 

 

        - Fase preparatória, com uma duração média de duas a seis horas;

        - Fase de expulsão do feto, com uma duração média de trinta minutos a duas horas;

        - Fase de expulsão da placenta, com uma duração média de trinta minutos a oito horas.

 

Fase preparatória:

 

        É durante esta fase que se dá o posicionamento do feto para o nascimento, o aumento do volume das glândulas mamárias, a dilatação do cervix e exposição das membranas fetais ao nível da vulva, com possível ruptura.

 

Fase de expulsão do feto:

 

        Normalmente nesta fase as fêmeas têm a tendência para se colocarem em decúbito esterno abdominal. Há por parte da fêmea uma grande inquietação e sinais evidentes de desconforto.

       

 

As contracções uterinas são inicialmente pouco intensas e em sentido crâneo-caudal. A membrana córion-alantoica é puxada até se exteriorizar ao nível da vulva. Quando as contrações uterinas se intensificam dá-se o início das contrações abdominais o que vai acabar por empurrar o feto até ao exterior.

 

 

 

B

 

A

 

D

 

C

 

 

Legenda: A e B – Fase de expulsão do feto num caprino

               C e D – Fase de expulsão do feto num ovino

Fonte:Internet 1

Fase de expulsão da placenta:

 

        Nesta fase dá-se o rompimento do cordão umbilical e consequente contracção da artéria uterina o que vai levar à diminuição da irrigação sanguínea da placenta, dando-se a separação das carúnculas e cotilédones.

        Ainda se dão contracções uterinas durante esta fase, designadas de contracções uterinas pós-parto que levam à expulsão da placenta, depois de expulsa a placenta ocorre o encerramento do cérvix. (Simões J, 1984)

 

 

 

 

 

Imagens de pós parto

Fonte:Internet 2

 

 

 

 

 


 

 

4-Distócias:

 

Dá-se o nome de parto anormal ou distócico, ao parto em que o feto adopta uma posição que pode ser prejudicial para ele ou para a mãe. (Noakes D, 2001)

 Existem diversos factores que influenciam a taxa de distócias entre os quais:

- Peso da cria;

- Idade da mãe;

- Dimensões pélvicas e corporais da mãe;

- Raça e genótipo do pai e da mãe;

- Nutrição da mãe;

- Posição ou apresentação do feto.

 

As causas das distócias podem ser distinguidas em dois grupos: (Noakes D, 2001)

 

 

1-    Distócias de origem fetal

2-  Distócias de origem maternal

 

1-    Distócias de origem fetal:

 

Estas distócias devem-se normalmente a:

        - O feto ser maior que o normal ou a área pélvica da fêmea ser menor que o normal, quando isto ocorre pode ser necessário intervir ou realizando a extracção forçada do feto ou recorrer a fetotomia ou cesariana;

        - Apresentação, posição ou atitudes anormais do feto, este problema pode ser resolvido através de manobras de propulsão, rotação e tracção;

 

        - Monstros fetais, ocorrem normalmente devido a factores genéticos, virais, químicos e físicos. (ex: duas cabeças, cabeça com tamanho exagerado).

 

2-  Distócias de origem maternal:

 

Estas distócias podem ser causadas por:

- Torção uterina, impedindo assim a expulsão do feto, normalmente nestes casos faz-se a imobilização do útero e realiza-se a rotação do corpo do animal;

        - Fracturas da pélvis ou devido à pequena área pélvica da fêmea ou devido ao tamanho exagerado do feto;

        - Hérnia ventral sendo a sua origem devido a traumas ou ao simples facto de a parede abdominal se encontrar muito debilitada;

-Alteração da via fetal;

- Bacias estreitas.

- Ruptura uterina, que ocorre por excesso de força sobre as paredes do útero ou por acidente, nestes casos recorre-se à cesariana;

       

 

(Ribeiro. S, 1997)

 

Bibliografia:

 

     Simões, José Manuel Cannas, (1984) – Fisiologia da reprodução dos ungulados domésticos – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, pp. 503 a 549;

        Kolb, Enrich, (1987) – Fisiologia Veterinária (volume 2) – Editorial Acribia, Zaragoza, pp. 788;

        Fraser, Andrew F., (1980) – Comportamiento de los animales de granja – Editorial Acribia, Zaragoza, pp. 213 a 225;

Noakes, David E. e outros, (2001) – Arthur’s Veterinary reproduction and obstetrics – W.B Saunders, U. K, pp. 155 a 189, 205 a 219, 229 a 245 e 279 a 333;  

Noakes, D. E., (1999) – Fertilidad y obstetricia del ganado vacuno – Editorial Acribia, Zaragoza, pp. 43 a 48;

Ribeiro, Sílvio Dória de Almeida, (1997) – Caprinocultura – Criação Racional de caprinos – Nobel, São Paulo, pp. 180 a 183;

        Internet 1 : http://members.aol.com/melodiehll/goatbirth.html

http://www.ukagriculture.com/

         Internet 2 :

http://ag.ansc.purdue.edu/sheep/lambbirth.html

 http://www.ukagriculture.com/