Free Web Hosting by Netfirms
Web Hosting by Netfirms | Free Domain Names by Netfirms

Sistemas de identificação de Ovinos e Caprinos

Por:Sandra Cabral e Solange Nogueira

 

 A identificação dos animais é extremamente importante, não só por uma questão de conhecimento dos animais pertencentes a determinado produtor, como por uma questão de organização e gestão da exploração. Deste modo, a identificação individual é a melhor forma de registar toda a informação praticada e útil para uma boa gestão da exploração.

Existem várias maneiras de identificar os animais, contudo umas são mais vantajosas que outras. Estes registos individuais possuem informações respeitantes á geneologias, á reprodução e produção de cada animal. Registam-se informações do tipo: os pais do animal, as suas pesagens, medições, nas fêmeas o número de cobrições, a altura em que ocorreram, datas de parição, tipo de parto (simples ou múltiplo), sexo dos filhos e ainda pode-se também registar a morte dos animais e seu destino quando saem da exploração (pode-se registar muitas mais informações).

Estes dados podem ser registados em papel, com fichas para cada animal anotadas á mão ou podem ser inseridas em programas informáticos onde além de se ter acesso facilitado á informação respeitante a cada animal pode-se ter outras informações como relações dos rendimentos dos animais, (...)

As principais maneiras de identificar os animais e mais usais são:

 

*  Marcação no velo

 

            Este sistema de identificação é feito com uma tinta especial aplicada no costado esquerdo do animal, em sentido antero-posterior. Normalmente regista-se as iniciais do proprietário. Contudo este sistema de identificação é bastante desvantajoso porque não permite a identificação individual de cada animal. A sua principal utilidade é como rápida identificação do proprietário do animal no caso de este se tresmalhar do rebanho. Devido ás suas desvantagens, este método caiu em desuso sendo actualmente preferidos os métodos que permitam a identificação individual de cada animal.

            Dentro deste mesmo tipo de método apareceu outro que consiste na marcação no corpo do animal (em especial ovinos) ou lã do número do animal. Este sistema surgiu para completar outros mais eficientes mas pouco visíveis. Consiste na aplicação de uma tinta especial no corpo ou lã do animal. Nesta tinta mergulha-se a marca e depois encosta-se no animal. Neste tipo de tintas são apenas permitidas legalmente aquelas que não prejudiquem a saúde higio-sanitária do animal e nem prejudiquem a lã. Devem resistir as intempéries mas devem se eliminadas completamente da lã aquando o desengorduramento na indústria têxtil.

(Degois Émile)

           

*  Cortes (entalhes praticados nas orelhas)

 

Inicialmente este sistema era apenas para marcar nos animais a sua idade, fazendo-se cortes de determinado comprimento. No primeiro ano fendia-se uma orelha num determinado local, no ano seguinte fendia-se a outra orelha no mesmo local, no ano seguinte fendia-se noutro lugar e assim sucessivamente. Desta forma bastava olhar o número de cortes nas orelhas para saber a idade do animal. Contudo este processo não dava para atribuir um número mais concreto e passou-se a utilizar um método um pouco mais elaborado.

Assim este sistema de identificação passou a consistir na aplicação de cortes predeterminados nas orelhas do animal atribuindo um valor a cada corte consoante a sua disposição. A conjugação destes cortes determina o número do animal, ou seja, somando o valor de cada corte das orelhas obtêm-se o número atribuído ao animal. A numeração atribuída aos cortes efectuados varia consoante os autores (Degois Émile).

 

Este é um sistema definitivo e permanente e requer baixos custos, no entanto, tem como desvantagem deixar as orelhas dos animais completamente mutiladas, o que se torna bastante desagradável aquando a compra destes animais em carcaças.

Este tipo de identificação não pode ser utilizado em animais registados.

Por exemplo este autor (Degois Émile) atribui os seguintes valores:

Na orelha esquerda:

Cada entalhe feito no rebordo superior (ou anterior) vale.............................................

1

Cada entalhe feito no rebordo inferior (ou posterior) vale............................................

10

Um entalhe na ponta vale...............................................................................................

5

Um buraco a meio da orelha vale...................................................................................

1000

 

 

Na orelha direita:

Um entalhe no rebordo inferior vale...............................................................................

500

Um entalhe na ponta vale...............................................................................................

 50

Um entalhe no rebordo superior vale.............................................................................

100

Um buraco no meio vale.................................................................................................

5000

 

Assim se quisermos atribuir a um animal, por exemplo o número 788, teríamos de proceder da seguinte forma segundo a numeração anteriormente referida.

Na orelha direita far-se-ia:

Um entalhe no rebordo inferior............................................................................................

500

Dois entalhes no bordo superior...........................................................................................

200

Um entalhe na ponta............................................................................................................

50

 

Na orelha esquerda:

Três entalhes no rebordo inferior.........................................................................................

30

Um entalhe na ponta.............................................................................................................

5

Três entalhes no bordo superior............................................................................................

3

 

778

Outros autores sugerem outros valores para este tipo de identificação como por exemplo o seguinte:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1 – Exemplo de valores atribuídos aos cortes nas orelhas (Speedy, Andew W; 1979)

 

Existem também autores que além de atribuírem valores diferentes aos cortes também atribuem um número máximo de utilizações, ou seja, um número máximo para numeração. A este sistema o autor designa de sistema australiano (Ribeiro, Almeida et al; 1998).

Neste tipo de identificação existe uma numeração máxima até 1599, assim como um número máximo de cortes em cada local das orelhas.

 

Local

Orelha direita

Orelha esquerda

 

Valor

Número máximo de cortes

Valor

Número máximo de cortes

Parte superior/anterior

3

3

30

3

Parte inferior/posterior

1

2

10

2

Parte central

400

1

800

1

Extremidade

100

1

200

1

Tabela 1 – Valores utilizados no sistema australiano de numeração (Ribeiro, Almeida et al; 1998)..

 

 

 

 

 

Figura 2 – Exemplo esquemático da numeração no sistema australiano (Ribeiro, Almeida et al; 1998).

     

*  Agrafos e botões metálicos

 

            Devido as desvantagens dos sistemas anteriores, apareceram outros sistemas alternativos como por exemplo o sistema de agrafos e botões. Em cada agrafo ou botão pode-se registar o seu número e a marca do proprietário. Faz-se a aplicação dos agrafos ou botões nas orelhas dos animais com a ajuda de uma pinça especial onde se introduz a orelha entre as duas partes destes objectos e engasta-se na orelha o rebite com que estes objectos estão munidos. Não é necessário enterrar completamente estes objectos quando os animais são jovens, pois a sua orelha está em crescimento, deve-se então deixar lugar para estes. Com este tipo de identificação não é possível garantir que o animal não perca a sua identificação mas contudo é um método fácil e visível. (Degois Émile).

 

*  Placas e Coleiras

           

            Neste tipo de identificação existe uma grande variedade de tipos de objectos que se pode usar. Normalmente as placas são materiais de metal ou plástico. Os materiais de metal são geralmente de alumínio. Estes objectos para identificação possuem geralmente forma arredondada, com um tamanho variável entre quatro a sete centímetros de diâmetro. As placas possuem o número em relevo, contudo é pouco visível mas bastante resistente. Já nas plásticas a numeração é feita pelo contraste de cores, ou seja, cores diferentes para a cor da placa e da numeração o que torna a numeração mais visível e fácil de identificar, contudo existem no mercado alguns materiais muito sensíveis, uma vez que os animais (principalmente os caprinos) facilmente as danificam mastigando-as e consequentemente inutilizando-as. Normalmente estas placas são colocadas no pescoço dos animais com correntes, tendo assim também uma importante função no auxílio do tratador quando é necessário pegá-los.  

            No caso das coleiras, estas podem ser de vários materiais, sendo usual usar-se as de coloridas nylon ou de couro. Nas de couro costuma-se fazer a identificação do animal a quente, marcando-se o nome e/ou o número do animal. (Ribeiro, Almeida et al; 1998).

 

*  Tatuagem

 

            Este método surgiu devido ás desvantagens dos outros métodos, sobretudo devido ao facto de não poderem ser permanentes, ou seja de o animal poder perder a sua identificação.

                  Este é um método permanente mas não é muito prático pois não permite a rápida visualização da identificação dos animais tendo-se pegar no animal para visualizar o seu número.

                  Este método é bastante utilizado nos animais registados.

                  A tatuagem é feita normalmente nas orelhas dos animais com umas pinças especiais, denominadas pinças de tatuar. Estas possuem dois braços. Num dos braços está uma caixa de forma rectangular que é onde se dispõe os algarismos. Estes algarismos são dispostos consoante o número pretendido e são seguros e mantidos no lugar por um parafuso de pressão. O outro braço possui uma superfície plana de assentamento (Degois Émile).

                  Para se efectuar a tatuagem limpa-se a parte interna da orelha do animal com algodão embebido em álcool ou éter e enxuga-se a seguir. Introduz-se o número pretendido na caixa em posição invertida como uma imagem no espelho, fixando os algarismos e coloca-se a orelha do animal entre os dois braços de modo a que todos os algarismos fiquem dentro da orelha. Depois faz-se pressão na pinça, o que faz com que as pontas entrem na pele perfurando esta e desenhando assim com pequenos orifícios o número pretendido. Em seguida esfrega-se toda esta superfície com uma mistura bastante espessa de negro-de-fumo e álcool. Uns dias depois o número de identificação aparece a azul e vai crescendo á medida que a orelha do animal cresce. Este método pode portanto ser empregue a animais jovens (a partir dos 30 dias), facilitando assim a sua contenção, no entanto também pode trazer desvantagens, visto que os animais enquanto jovens podem não possuir uma pigmentação nas orelhas e depois escurecerem á medida que crescem dificultando assim a visualização do seu número de identificação mas também pode causar a deformação das orelhas destes animais. (Degois Émile).

                  Este processo como provoca sangramento na maior parte das vezes deve-se ter cuidado nas condições sanitárias a fim de se evitar contaminações de doenças entre animais.

Figure 7 shows cow's ear with tattoo A24.Figura 3Figure 6 shows a picture of tattoing equipment being sanitized.Figure 3 shows a picture of cow's ear being cleaned with an alcohol pad. – Limpeza e preparação de orelha de um animal para tatuar. Pinça de tatuagem (8).

Figura 4Figure 5 shows a picture of cow's ear being tattooed with tongs. – Altura e formato da tatuagem (8).

 

*  Marcação a fogo nos chifres

           

            Em alguns animais, faz-se a marcação a fogo nos cornos com seu número de identificação.

A desvantagem deste método é que é necessário a contenção bem feita dos animais pois a aplicação deste sistema de identificação terá de ser feita quando o animal possuir um corno suficientemente grande para se poder fazer a marcação, além de apenas poder ser realizada em animais que possuam cornos. Têm de ser completadas com marcas bem visíveis mas que se apagam com relativa facilidade. (Degois Émile)

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 5 – Exemplo de uma marcação nos cornos (Speedy, Andew W;1979)

 

*  Brinco auricular

           

            Neste método existem brincos de plástico e de metal. Estes devem ser pequenos, leves, resistentes e com os números bem visíveis. Deve-se colocar o brinco na parte central da orelha, porque se ficar muito a ponta pode haver puxões e rasgar a orelha.

Nos animais mais jovens deve-se aplicar um brinco mais pequeno para que estes não fiquem

com as orelhas descaídas.

                  Os brincos são aplicados com um aparelho especial em forma de alicate que possui dois braços onde encaixa num uma parte do brinco e no outro a outra. Uma destas partes é afiada pois é essa que vai perfurar a orelha. Na orelha direita coloca-se o brinco da sanidade e na esquerda coloca-se o número do animal.

 Deve-se ter cuidado com o manuseamento e colocação dos brincos pois como é um método doloroso para os animais e pode causar infecções (Ribeiro, Almeida et al; 1998).

 

 

 

 

 

 

 

Figura 6 – exemplo de uma brincagem em adultos (esquerda) e animais jovens (direita) (Speedy, Andew W; 1979)

Todos estes sistemas são denominados de sistemas clássicos de identificação e possuem como principais inconvenientes as perdas, quebras, alterações; a dificuldade de leitura com o passar do tempo; a lentidão e erros de leitura; etc. ...

Desta forma surgiu um sistema que permiti-se a Identificação Única por animal, para toda a sua vida, mediante a aplicação de um identificador electrónico, capaz de ser lido automaticamente com a maior eficiência.  

*  Sistema electrónico (implantes colocados subcutâneamente)

 

  Os métodos tradicionais de identificação apresentam algumas limitações das quais resultam o facto da identificação animal sempre ter constituído uma limitante ao eficiente desempenho da gestão e controlo de efectivos pecuários.

A identificação electrónica dos animais domésticos pressupõe um salto, tanto quantitativo como qualitativo, na gestão de dados relacionados com esses mesmos animais, o que permite melhorar qualquer tipo de controlo que se pretenda realizar. A partir da identificação electrónica podem-se obter soluções muito concretas para problemas existentes no sector pecuário. A utilização de transponders electrónicos injectáveis (pequenos transmissores – receptores, que possuem um código único, de frequência rádio, constituídos por um “microchip” e um transmissor passivo, envolvidos por uma cápsula de vidro biocompatível aplicados permanentemente no animal, sendo activados por um campo electromagnético gerado por um leitor, respondendo a este transmitindo o seu código que, por sua vez, é recebido pelo leitor), implantados subcutaneamente, é um método de identificação de aplicação recente em ovinos e caprinos (1).

Sabemos que a identificação dos animais é necessária para a simplificação da recolha de informação, permitindo maior eficiência através da melhoria de sistemas de monitorização e recolha de elementos referentes ao comportamento produtivo e reprodutivo dos animais. A electrónica pode ir mais longe, auxiliando em planos de melhoramento e permitindo o registo, em computador, da informação de animais em produção (1).

Esta automatização reduzirá o tempo necessário para a identificação animal e a recolha de informação desde a própria exploração até à central de base de dados, com as actuais metodologias de trabalho, conduzirá a uma poupança de tempo na recolha e processamento dos dados de cada animal a um e conduz a um aumento da fiabilidade da informação, permitindo cumulativamente a redução dos erros humanos envolvidos na recolha, permitindo a standarização da identificação e indo dificultar e precaver as modificações fraudulentas. Estes sistemas, não permitem somente uma identificação única e inalterável dos animais, mas também as possibilidades de automatização e controlo da gestão dos animais da exploração, no seu sentido mais amplo, tornando-se uma realidade com a implementação destes sistemas (2).

A identificação electrónica tem de ser acompanhada de um correcto sistema de informatização dos dados para se poder obter todos os benefícios que a identificação electrónica pode proporcionar. Sem esta informatização, unicamente se estará aproveitando uma mínima parte das possibilidades que o sistema confere (3).

Para os produtores as vantagens estarão no incremento da eficiência do maneio e na contribuição para o melhoramento animal (neste último aspecto as associações de criadores serão um parceiro interessado) (2).

O local de implantação, tem de permitir uma leitura fácil, evitar rupturas e perdas e, especialmente, garantir que o “transponder” se mantenha no local de aplicação.

Outra vantagem pretendida, liga-se com a facilidade de localização e recolha dos “transponders” no matadouro, no menor espaço de tempo (2).

            Este tipo de identificação pode ser realizada de várias formas.

            Pode ser através de um microchip, usando tecnologia de comunicação sem fio, a baixa frequência e possui um dispositivo para leitura e um aplicador. A identificação é rápida e sem dor para o animal, é inviolável e permanente obtendo-se as leituras num leitor manual ou fixo. Este tipo de identificação serve inclusive em sistemas de registro genealógico (1).

 

Temos assim vários tipos de identificadores electrónicos que funcionando do modo anteriormente descrito (3).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Podemos ter leituras destes dispositivos de duas maneiras.

Uma através de leitura estática (3):

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           

 

 

 

 

 

Outra através de leitura Dinâmica (3):

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Neste caso de uma leitura dinâmica o fluxo de dados processa-se d seguinte forma:

O sistema começa a funcionar quando a unidade de leitura emite um fluxo de energia electromagnética (onda de rádio de baixa frequência (134.2 kHz)) que se faz chegar ao dispositivo identificador (transponder passivo que o animal possui) por meio de uma antena, que capta a informação, armazena-a, analisa-a e responde, emitindo um novo fluxo de energia electromagnética que é por sua vez captado e analisado pela unidade de leitura, um módulo ligado a um computador portátil. A resposta final é a tradução do sinal recebido na unidade de leitura e a visualização de um número de identificação. Este sistema de leitura está ligado a uma base de dados onde serão compilados todos os dados (3).

O transponder injectável possui a forma de uma caneta arredondada já o bolo reticular que se coloca no rúmen do animal é arredondado e é mais pequeno que uma caneta (3).

Existem aparelhos para fazer a aplicação destes rolos, estes podem ser plásticos ou metálicos.

A aplicação do "bolo reticular" é feita com auxílio de um aplicador apropriado, através da cavidade bocal, tendo o animal necessidade de deglutir o referido bolo, após a sua libertação pelo aplicador no "pós língua". Esta acção pode originar uma reacção de não colaboração por parte do animal em virtude de ela não se enquadrar nos seus parâmetros comportamentais normais de ingestão e da textura do "bolo reticular" diferir significativamente da dos elementos que normalmente recolhe para sua alimentação(4).

Para a colocação deste tipo de identificação, é benéfica a contenção dos animais num espaço restrito (manga, bardo, aprisco) de modo a que a sua mobilidade seja reduzida ao mínimo, salvaguardando sempre o seu bem-estar e o bom desempenho do operador (4).

O acto de contenção, constitui uma alteração ao comportamento normal daqueles animais que apenas esporadicamente a ela têm de ser sujeitos, em virtude de na maioria dos casos desenvolverem a sua actividade produtiva, em situação de campo (4).

O manuseamento dos animais deverá pois processar-se com serenidade e com segurança, quer para o operador quer para os animais, evitando ao máximo acções violentas que levem os animais a não colaborar (4).

Não deverá colocar-se o "bolo reticular" em animais que se encontrem em decúbito (ventral ou lateral) pelo que nestas situações deve incentivar-se o animal a levantar-se. Este tipo de identificação deverá ser colocado em animais saudáveis e não fatigados. Aos animais a que seja exigida deslocação até ao local de identificação, deve-lhes ser permitido um certo repouso, antes da aplicação do “bolo reticular” (4).

Após a contenção, introduzir-se-à a cânula do aplicador na cavidade bocal, lateralmente, através das comissuras labiais, na região do maxilar inferior desprovida de dentes (barra ou diastema), facilitando a operação (4).

 

As figuras seguintes, bem como as notas explicativas, permitem elucidar acerca do cuidado a ter na introdução da cânula e deposição do "bolo reticular" para que este siga a via digestiva, através do esófago, e não a via respiratória, através da traqueia.

É indispensável que o material utilizado na aplicação dos “bolos reticulares”, seja lavado e desinfectado, antes de ser utilizado noutra exploração (4).

Caixa de texto: Normalmente a via respiratória está sempre aberta, estando a via digestiva encerrada. 
Em situação de deglutição em que o véu palatino se eleva e a epiglote fecha a laringe, ficando o animal privado, por momentos, da utilização da via respiratória. Assim, os elementos sólidos ou líquidos colocados na cavidade bocal são conduzidos através do esófago para o rúmen. É este processo que deve ocorrer aquando a deglutição do bolo. Deve ocorrer voluntariamente a fim de se evitar que o bolo vá para a traqueia em vez de ir para o esófago.

Figura 7 – Cabeça de um animal (4).

Caixa de texto: A cabeça do animal deve estar em posição natural, e o aplicador deve ser introduzido na cavidade bocal estando a extremidade anterior da cânula, sobre o terço posterior da língua ("pós língua"), aí deve deixar o bolo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 8 – Exemplo de como se deve colocar o aplicador na boca do animal (4).

 

Caixa de texto: Introdução do aplicador na cavidade bocal, deve ser feita lateralmente através das comissuras labiais, ao nível da barra ou diastema. O aplicador deve ter as medidas certas de acordo com a idade do animal para não haver problemas na colocação do bolo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 9 – Exemplo de como deve ser a abordagem ao animal na altura de aplicar o bolo (4).

 

 

Pode-se também usar um sistema de identificação electrónica através de colares de identificação contendo um dispositivo emissor/receptor de ondas magnéticas, utilizada principalmente em rebanhos leiteiros, principalmente quando á uma maior automatização das salas de ordenha e boxes de alimentação (4).

 

Pode-se assim resumir que a identificação electrónica dos animais surge assim como orientação zootécnica (fundamentalmente sanitária) e com o objectivo de satisfazer os seguintes princípios e requisitos fundamentais 84):

-         Leitura à distância sem necessidade de imobilizar o animal

-         Funcionamento passivo (sem baterias), de larga duração e seguro para o animal

-         Sinal codificável e processável

-         Ausência de erros na identificação

-         Resistência às condições de utilização no animal

-         Baixo custo

O processo de identificação electrónica de animais domésticos, consiste assim na aplicação de um transponder, leitura do identificador com o leitor portátil e posterior registo de forma manual ou automática (4).

 

Quando se deve matricular?

            Logo á nascença o tratador deve aplicar na cria ou crias uma marca que o identifique com a sua mãe. Por exemplo aplicar-lhe uma coleira com um número provisório que permita ao tratador saber qual é a sua mãe e assim o tratador pode começar a registar todos os dados sobre essa cria. Posteriormente será aplicado o seu número de identificação definitivo pelo um dos meios anteriormente referidos (Degois Émile).

 

Interpretação do número de identificação

 

            A identificação consiste num conjunto de números ou uma combinação de números com letras, que contém um código com as indicações que pretendemos.

            Por exemplo o número 16863 poderia ser interpretado deste modo:

            1 Þ Zona do país

            6 Þ Número da exploração onde nasceu

            8 Þ Ano de nascimento (1998)

            63Þ Ordem de nascimento

 

            Ou então assim:

1 Þ Número da exploração onde nasceu

            6 Þ Ano de nascimento (1996)

            863Þ Ordem de nascimento

           

O n.º 17925 UE identifica um animal pertencente a uma entidade que possui mais do que uma exploração. Assim:

1-      N.º da exploração 

2-      7- Ano do nascimento (1997) 

3-      925- Ordem de nascimento na exploração 

4-      UE – Sigla que identifica a entidade a quem pertence o rebanho onde nasceu o animal.

 

 

 

Bibliografia

 

            Degois Émile; Manual do criador de ovinos; colecção Euroagro; Publicações Europa – América

 

            Speedy, Andew W; Manual da criação de ovinos; Editorial Presença, 1979

 

            Ribeiro, Silvio Doria de Almeida; Caprinocultura: Criação Racional de Caprinos; Nobel, 1998

 

(1)       http://www.projectoidea.com/Down/Possibilidades_Utilizacao.doc

 

(2)       http://www.projectoidea.com/index.html

 

(3)       http://www.introduçãoaoprojectoidea.com

 

(4)       http://www.idea.uevora.pt

 

(5)       http://www.kikogoats.com/IDSTDS.HTM

 

(6)       http://www.agric.wa.gov.au/agency/Pubns/farmnote/1999/f01399.htm

 

(7)       http://www.allgoats.org.uk/Goathealth.htm

 

(8)       http://www.uaex.edu/Other_Areas/publications/HTML/FSA-4015.asp