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Timpanismo

 

Por Cândida Morgado

 

 

 

Definição:

 

O timpanismo não é uma doença infecciosa, mas um problema metabólico nos animais ruminantes, também conhecido por meteorismo ruminal,caracterizado pela distenção exagerada do rúmen e do reticulo, devido à dificuldade do animal em expulsar os gases produzidos, atravéz dos mecanismos fisiológicos normais.

 

 

Etiologia:

 

Este problema está associado a factores que conduzem à formação e acumulação de gases no rúmen, que são produzidos durante a fermentação ruminal, que normalmente são expelidos do rúmen através da eructação. Uma das possiveis causas deste problema está relacionado com certas proteínas das plantas, particularmente as leguminosas,o seu conteúdo proteico e o grau de digestibilidade da forragem refletem o seu potencial causador de timpanismo. Plantas com altos níveis de proteína e alta digestibilidade têm uma maior probabilidade de provocar timpanismo.

O timpanismo pode ser classificado como primário ou como secundário:

 

♣ O primário é caracterizado pelo aumento na tensão superficial do líquido ruminal ou de sua viscosidade, que faz com que as bolhas de gases presentes na espuma, presistam por longos períodos e, apesar dos movimentos contínuos do conteúdo ruminal, estas não se desfazem, impossibilitando a sua eliminação.

 

♣ O secundário ocorre quando há dificuldade física no processo de eructação. Esta dificuldade pode dever-se:

- a uma obstruçaõ do esófago por um corpo estranho;

- como complicação de doenças que podem levar a enfartamento ganglionar;

- ou por lesão nas vias nervosas responsáveis pelos processos de eructação.

 

 

O tétano, devido aos espasmos de musculatura, também pode provocar timpanismo.

 

 

 

 

 

 

 

Animais afectados:

 

O timpanismo afecta bovinos de ambos sexos e de todas as idades, havendo variações no grau de susceptibilidade.

 

 

 

Figura 1: Bovino adulto. (BATTGLIA,2001)

 

 

 

Epidemiologia:

 

 Esta doença tem mais incidência em animais confinados com rações altamente concentradas, especialmente se contiverem percentagens elevadas de soja ou cevada, ou em pastagens de leguminosas em alto grau de crescimento.

A ingestão de alimentos muito concentrados leva a um aumento da fermentação e consequentemente à elevada produção de ácidos gordos voláteis, resultantes da fermentação pela microflora ruminal. O que leva a um aumento do pH, factor que é favorável à produção e acumulação de espuma.

 

 

Sintomas:              

 


Aumento do volume ruminal;

 

Excessiva pressão intra-ruminal;

 

Distensão do flanco esquerdo, o que causa um certo desconforto para o animal e faz                                                                                                                         com que o animal pare de comer;

 

Sinais de desconforto e de dor abdominal;

 

Escoiceamento do ventre e emite grunhidos;

 

Aumento da frequência respiratória que é acompanhada de respiração oral;

 

Protusão da língua, salivação, extensão do pescoço e distensão dos membros;

 

Decréscimo progressivo da intensidade dos movimentos ruminais, chegando até a atónia em função da distensão acentuada do rúmen;

 

Numa situação mais evoluída do quadro patológico, o animal acaba por cair, com a cabeça distendida, boca aberta, língua protrusa e olhos dilatados;

 

A possibilidade de morte pode ocorrer umas horas após o início dos sintomas;

 

 


 

Figura 2: Animal com distensão do flanco esquerdo, primeiro sinal de timpanismo. (BATTGLIA,2001)

 

 

Tratamento:

 

Este deve ser baseado na contínua observação dos sintomas dos animais em questão, bem como no seu historial alimentar, para se poder determinar quais as dietas percurssoras de timpanismo.

É necessário um extremo cuidado com animais superalimentados, de modo a evitar que a verdadeira causa de morte seja negligenciada.

Normalmente o tipo de tratamento varia deacordo com ograu de seriedade do caso em questão e com o tipo de timpanismo. Muitos dos sintomas só são observados em condições avançadas, tornando deste modo necessária a tomada de medidas de emergência.

O tratamento deve visar a expulsão dos gases e a redução da estabilidade da espuma. Este pode ser efctuado através do uso da sonda orogástrica, útil para a expulsão de gás. Quando não se utiliza a sonda devemos optar pelo uso do trocáter na fossa paralombar esquerda, após o alívio da pressão no rumén, devem ser administrados, via sonda ou no local da trocaterização, óleos vegetais ou minerais, antifermentativos e laxativos, para estabilizar a espuma e facilitar a eliminação da ingesta.

Em último caso pode ser feita uma rumenotomia (pequena cirurgia o rumén), na qual é retirado todo o material existente no rumén, que posteriormente deve ser reposta a flora com conteúdo ruminal de outro animal. Este processo só é vantajoso quando se trata de animais de alto valor económico.

 

 

 

 

 

Figura 3: Utilização da sonda orogástrica, para forçar a saída de gases. (BATTGLIA,2001)

 

 

 

 

 

Figura 4: Uso do trocáter na fossa paralombar esquerda. (BATTGLIA,2001)

 

 

 

 

Prevenção:

 

A melhor maneira de evitar um caso de timpanismo é evitar a administração de dietas com excesso de grãos e deficiencias ao nível das fibras, também como a excessiva moagem  dos grãos.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

BATTAGLIA, Richard, (2001) Hand Book of Livestock Management, Prentice Hall, 3ª edição.

 

Internet I

http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc65/timpanismo.html

 

Internet II

http://patrocipes.uson.mx/tips/inyecciones.htm