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AVALIAÇÃO DA CONDIÇÃO CORPORAL EM CAPRINOS
José Ricardo
Pinheiro
Ao
longo de todo o ciclo de produção, os produtores devem estar atentos à condição
corporal das suas ovelhas ou cabras e verificar se estas estão fisicamente de
acordo com a fase de produção em que se encontram: engorda, gestação e
lactação.
A
avaliação da condição corporal dos ovinos e caprinos baseia-se numa escala de 0
a 5, que descreve a condição dos animais e que é mais do que uma simples
avaliação feita “a olho”.
A
escala de condição corporal estima o desenvolvimento de músculo e gordura no
animal. A escala é baseada numa palpação realizada a nível da região lombar (Figuras
1 e 2) de modo a sentir-se qual a proporção de músculo e gordura depositada
sobre as vértebras e em torno destas.
As
vértebras lombares são constituídas por uma protuberância vertical – apófise
espinhosa – e horizontalmente de cada um dos seus lados pelas apófises
transversas. Esta palpação permite-nos verificar em que posição da escala se
encontra o animal.
Figura 1. Condição corporal (vista lateral) Figura 2. Condição corporal (vista superior)
AVALIAÇÃO DA CONDIÇÃO CORPORAL EM CAPRINOS
A
avaliação da condição corporal dos caprinos é semelhante à realizada para os
ovinos, sendo as áreas do lombo e da base da cauda ( Figura 3 )as que mais
destacam na análise da condição corporal, visto que é nestas que melhor se
identifica a acumulação de gordura.
A
avaliação é feita com base numa palpação ( Figura 4 ) e numa escala que vai de
0 a 5.

Figura 3 - Principais áreas avaliadas

Figura 4 - Palpação
Escala de classificação da condição corporal de caprinos
Nota
0:
Animal
em condições esqueléticas, num estado de magreza extremo, não sendo possível
qualquer músculo ou gordura entre o osso e a pele. Ponto próximo da morte.
Nota
1: pobre
Animal
numa condição corporal muito pobre. A espinha é visível e forma uma crista
contínua, o flanco apresenta-se côncavo, as costelas são visíveis e os ossos da
garupa são perceptíveis ( SANTUCCI, et al., 1991, citado por Silva, 1993
).
Região
esternal: o
tecido adiposo subcutâneo esternal é facilmente localizável e avaliado
pela acção dos dedos; apresenta-se com uma forma plana ligeiramente duro;
move-se com a mão, da direita para a esquerda ( ao abate, verifica-se que o
peso deste TA ( Tecido Adiposo ) esternal é de aproximadamente 20g ). As
articulações condroesternais e o início das costelas podem ser sentidas através
de leve toque com os dedos ( SANTUCCI et al., 1991, citado por Silva, 1993 ).
Nota
2: Mediana
Animal
ligeiramente ossudo; espinha ainda é bem visível, a garupa é proeminente (
SANTUCCI et al., 1991, citado por Silva, 1993
).
Região
esternal: O
TA subcutâneo esternal pode ainda ser localizado com os dedos, mas apresenta-se
mais espesso (1 a 2 cm). Pode facilmente ser destacaddo ao longo de todo o seu
comprimento através da acção da ponta dos dedos, uma pequena camada pode ser
distinguida entre a pele e as articulações condroesternais ( SANTUCCI et al.,
1991, citado por Silva, 1993 ).
Nota
3: Avançada
A
espinha deixa de ser proeminente; a garupa encontra-se bem coberta ( SANTUCCI
et al., 1991 ).
Região
esternal: O
TA subcutâneo esternal pode ser distinguido muito facilmente; é espesso e pouco
móvel. É difícil de destacar devido as massas de tecido ( TA e músculo ) pelas
quais é rodeado. É necessário uma palpação forte para notar as articulações
condroesternais ( SANTUCCI et al., 1991, citado por Silva, 1993 ).
Nota
4: Gorda
Sem
sinais particulares ( SANTUCCI et al., 1991, citado por Silva, 1993 ).
Região
esternal: É
difícil o TA subcutâneo esternal devido a sua espessura. Este encontra-se
misturado com as massas de TA e músculo que cobrem as articulações
condroesternais e as costelas ( SANTUCCI et al., 1991, citado por Silva,
1993 ).
Nota
5: Muito Gorda
Sem
sinais particulares ( SANTUCCI et al., 1991, citado por Silva, 1993 ).
Região
esternal: O
TA subcutâneo esternal não pode ser identificado nem localizado. Uma espessa
massa de tecido, que cobre igualmente o esterno e as costelas, é sentida entre
os dedos ( SANTUCCI et al., 1991, citado por Silva, 1993).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Silva, S.J.C., 1993. Avaliação da condição corporal em ovinos e
caprinos. UTAD