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Fasciolose
Jacinta Maria da Conceição Tavares
Profilaxia
A fasciolose, pela sua ampla distribuição entre os ruminantes domésticos e muitas espécies silvestres, é de difícil erradicação, porém pode-se controlar, combinando os tratamentos antihelmínticos com medidas de higiene e o controlo do pastoreio (Núncio, 1984).
Devem evitar-se as pastagens nas imediações de lagoas, charcos, valas de escoamento. Se economicamente for possível, cercar estas zonas, de forma a impedir o seu acesso aos animais, ou recorrer a medidas de carácter agronómico, visando suprimir a humidade excessiva dos solos, que constituem também, acções eficazes, no sentido de eliminar os caracóis do género Limneia. As drenagens são, actualmente a melhor solução, já que o material de escavação mecânica e o emprego de tubagem plástica torna as operações deste género mais económicas. O emprego de charruas pode também assegurar uma drenagem parcial. Porém os terrenos fortemente infestados deverão ser interditos ao pastoreio (Núncio, 1983).
Deve evitar-se fornecer, aos animais estabulados, alimentos provenientes dos locais infestados, a não ser que tenham sido bem ensilados, já que a ensilagem mata as metacercárias (Núncio, 1984; Fazendeiro, 1990).
Deve fornecer-se água de proveniência segura, por exemplo de furos artesianos (Núncio, 1984).
Para eliminar os caracóis, além da referida destruíção do seu habitat, pode recorrer-se ao uso de molusquicidas (tais como o sulfato de cobre - 1:100000 a 1:5milhões ou em pó - 10 a 35 kg/há ou N-tritiomorfolina - 0,45 kg em 680 l/há). Os molusquicidas devem ser aplicados na Primavera para matar os caracóis transhibernantes infestados e a geração parental que seria o núcleo da população reprodutora do ano ou então no Outono (Vala, 1999).
O tratamento profilático de rotina deve ser recomendado pois permitirá a redução da eliminação de ovos do parasita e portanto a redução das probabilidades de infestação do molusco. Afim de se poder manter o estado sanitário normal dos animais é conveniente desparasitar o hospedeiro definitivo pelo menos duas vezes por ano:
1ª medicação..................... Março – Abril
2ª medicação..................... Setembro - Outubro
(Gonçalves, 1980; Núncio, 1984; Pereira, 1992)
Em relação ao estado fisiológico do animal a desparasitação deve ser efectuada antes da cobrição, bem como antes do parto (Pereira, 1992).
O
Homem pode, acidentalmente, ser infestado, por ingestão de legumes crus como
por exemplo agriões, por se desenvolverem muito facilmente à volta de
acumulações de água. A prevenção da transmissão de metacercárias ao Homem é
feita através da lavagem cuidada de todos os vegetais ingeridos em crú.
Devem-se ainda adicionar algumas gotas de lixívia à água de lavagem e deixar
actuar durante trinta minutos (Pereira, 1992).
Tratamento
O tratamento, desde que seja aplicado precocemente, interrompe o ciclo evolutivo do parasita e impede a disseminação da doença. O tratamento sistemático dos bovinos faz-se com toda a facilidade nos estábulos, face à disponibilidade dos Fasciolícidas que são inúmeros (Anexo I, pág. 45). Nos bovinos, a acção do tratamento sobre as formas imaturas interrompe o ciclo e diminui o risco de se instalar uma fasciolose crónica. Sobre este assunto deve ter-se em conta a dose, a via de administração e, numa primeira instância, a observação do intervalo de segurança para carne e leite (Vázquez & Pérez, 1999).
DGV. (2002). Manual de
procedimentos e boas práticas para o controlo dos MRE e subprodutos dos animais
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