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Língua azul

Claudia Santos - mailto:claudia.santos2001@clix.pt

 

 

            A língua azul é uma doença infecciosa mas que não apresenta um caracter contagioso. É provocada por um vírus, que em condições naturais, ataca apenas os ovinos e os bovinos. Relativamente aos ovinos a raça merina é a mais susceptível a esta doença mas, independentemente da raça, todos os animais jovens são mais sensíveis.

Esta doença provoca cerca de 50 – 60% de morbilidade mas apenas em  5% dos animais ela é fatal.

Este vírus, da família Reoviridae, é, normalmente, transmitido por picadas de mosquito e como tal esta doença é mais comum em estações quentes e chuvosas. 

O período de incubação nos ovinos é de cerca de 15 a 18 dias e pode descrever-se de uma forma aguda, subaguda ou abortada.

            A forma aguda manifesta-se por temperatura elevadas (40 a 42º ) acompanhada de anorexia. Posteriormente surge um corrimento nasal abundante, a saliva transforma-se em espuma sanguinolenta e surgem focos de necrose na língua. Sintomas de pneumonia, necrose pulmonar e sede viva acompanhados de diarreias intensas são sintomas que, normalmente provocam a morte rápida do anima.

A forma subaguda traduz-se por sintomas menos severos, caracterizando-se pelo aparecimento de lesões podais que provocam claudicação. Nestes casos a doença tem duração de 15 a 30 dias e apresenta uma convalescência muito prolongada assim como emagrecimento persistente.

A forma abortada é pouco comum e caracteriza-se por hipertermia e congestão das mucosas, especialmente a lingual.

Nos borregos a evolução é muito longa e os animais ficam fracos e sensíveis a todas as infecções e infestações parasitárias (Ferreira, 1990).

 

Nos bovinos a doença da Língua azul provoca, inicialmente, febres até 40 º, que desaparecem com os primeiros sinais clínicos, ou seja com a  congestão e inflamação, com necrose, das mucosas nasal e bucal. Podem surgir perturbações cutâneas e podais, sendo também o úbere afectado o que leva a uma diminuição da secreção láctica ou mesmo a sua extinção. 

O período de incubação nesta espécie é de 12 dias e quase nunca é letal.

           

            Como medidas profiláticas refere-se o uso de redes mosquiteiras nas instalações pecuárias  e a protecção dos animais as picadas dos insectos, nomeadamente através de banhos de petróleo.

            A vacinação preventiva deve ser aplicada na Primavera. Os borregos não devem ser vacinados antes das duas semanas após o desmame e nos animais adultos (ovinos) esta deve ser aplicada antes da tosquia para diminuir a reacção vacinal. A vacina deve ser aplicada duas ou três vezes por ano, uma vez que a imunidade diminui muito a partir do quarto mês.

            Em meio indeme, é  importante recorrer à quarentena (Ferreira, 1990).